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  • Foto do escritorLourenço Galarey

Solução para o Mercado de Curto Prazo

Atualizado: 15 de out. de 2023


No último conteúdo feito pela Navarra, que você pode encontrar aqui, falamos sobre o funcionamento do Mercado de Curto Prazo e do pré-MCP. Falamos sobre o operacional que as empresas têm neste período de ajuste, e os problemas que esta dinâmica trazem. Neste artigo traremos a visão da Navarra para uma possível solução aos ajustes do MCP.

Problemas do Mercado de Curto Prazo

O processo do Mercado de Curto Prazo (Pré-MCP e pós-MCP incluídos) é uma dinâmica importantíssima do setor elétrico brasileiro, pois além de garantir o ajuste dos volumes negociados com o que foi efetivamente gerado/consumido, afeta grande parte dos agentes mensalmente, gerando uma demanda constante dentro das empresas.

Este operacional, apesar de ser recorrente, não é trivial. Para fugir das penalidades por sofrer o ajuste automático na CCEE, como: a demora para liquidação, risco de congelamentos, risco de preço do PLD e penalidades por falta de lastro para agentes que estão short (mais informações neste artigo), o principal operacional oneroso se encontra no pré e no pós-MCP.

O pré-MCP é marcado pela fase de negociações, na qual as cotações de preços e volumes são feitas no mercado com diversos agentes, para zerar montantes de energia, muitas vezes pequenos; que acabam sendo negociados com poucos players conhecidos como provedores de liquidez, que geralmente apresentam bom ratings de crédito; justamente para que não seja necessário novo cadastro ou análise de risco de uma nova contraparte.

  • Para os agentes tomadores de liquidez, isso é prejudicial, por limitar o mercado potencial de comercialização neste período, dado que o volume de energia a ser ajustado muitas vezes não justifica o investimento em recursos ou tempo para viabilizar a negociação com outras contrapartes.

  • Para os provedores de liquidez, isso é prejudicial, por resultar em um grande trabalho operacional. Seus ajustes mensais são feitos com muitas contrapartes diferentes, com poucos volumes de energia em cada contrato, e para cada um destes contratos é necessário novo cadastro, análise de crédito, negociação, emitir nota fiscal, assinatura dos contratos, etc.

Devido ao volume de energia, o volume de contrapartes, e consequentemente o volume operacional que o processo do pré e pós MCP impõe, os provedores de liquidez (agentes que comercializam grandes volumes de energia no mercado) são os principais prejudicados; já que para cada contrato negociado devem movimentar as áreas internas de mesa de operações: back-office, pós-venda, tributário, CSC e financeiro. Portanto, eles são os agentes alvos da solução idealizada pela Navarra, já que com a abertura do mercado livre e, consequentemente, ampliação do acesso ao mercado, estes problemas tendem a se acentuar cada vez mais.

Com a abertura do Mercado Livre para Alta Tensão, não existe mais a demanda mínima necessária para migrar. A partir de 2024, todos consumidores do Grupo A poderão migrar para o ACL, independente da sua carga. É esperado que isso represente um número maior de agentes, e também um volume expressivamente maior transacionado pelos agentes já presentes no ACL hoje. Isso ocorre porque a abertura total para o Grupo A ocorrerá através dos agentes varejistas, que de certa forma serão agregadores, que tem papel importante em representar e prestar serviços principalmente para os novos consumidores.


Como este problema é resolvido em outros mercados?

O mercado financeiro já teve dinâmica de negociação de ativos semelhante à como é feito este processo individual de negociações no MCP, e antigamente sofriam do mesmo problema. Imagine que um day-trader de uma instituição financeira, que faz mais de 100 negociações por dia para certa ação, tivesse que emitir uma nota fiscal ou estudar quem é sua contraparte, e fosse obrigado a fazer isso para cada uma de suas 100 negociações diárias… Isso seria impraticável.

Este problema foi resolvido com a centralização das liquidações, que junto a automação de sistemas e negociações em tela permitem que o mercado inteiro opere quantas vezes se fizer necessário, e ao final do dia apenas uma nota de corretagem é emitida com todas suas operações. Acreditamos que a comercialização de energia no mercado brasileiro deva seguir o mesmo caminho, em especial o MCP.


Solução no mercado de energia

Esta solução pode ser adaptada ao nosso mercado semelhantemente. O ajuste necessário a ser feito no MCP nada mais é do que o regulador dizendo se você tem sobras ou faltas de energia, ou dinheiro, e que deve fazer a operação contrária no mercado para se zerar. Ou seja, não importa quantas operações você faz em um dia, ou quais os volumes de energia ou com quem você está comercializando; o que importa realmente é se você é um agente superavitário ou deficitário no final do período de ajustes, sendo relevante apenas o saldo resultante de todas as operações feitas, e não cada uma delas individualmente.

Centralizar as negociações traria um fim a este trabalho operacional que afeta todos os agentes que comercializam energia no setor elétrico brasileiro, e que tende a aumentar nos próximos anos. Para que isso seja possível, os agentes devem estar cadastrados em plataforma específica para estas negociações, que terá a informação de todos os agentes, bem como sua saúde financeira e rating de crédito.

Ao realizar uma operação na plataforma, não seria necessário o cadastro, nem a avaliação do rating de crédito; e nem todo o processo que seria feito individualmente para cada negociação, já que seu objetivo é entregar apenas ao final do período de ajuste o saldo de cada agente a fim de que este esteja zerado frente suas obrigações com o regulador.

Esta solução não afeta os processos usuais de comercialização de energia, pois se mantém a dinâmica de registro e os prazos de liquidação, apenas busca por otimizar e centralizar a operação. Proporcionando redução da carga operacional, redução do risco de erro humano, aumento da escalabilidade do processo, aumento do mercado comercializável e contribui para uma maior segurança de mercado.

A expertise da Navarra Tech vem da experiência da equipe no mercado financeiro e de comercialização de energia. Visamos extrair as melhores práticas de diversos mercados e países para aplicar no setor elétrico brasileiro. Estamos nesse momento procurando parceiros para desenvolver e testar nossa solução para o Mercado de Curto Prazo, se tiver interesse em conhecer mais sobre a nossa proposta fique a vontade para nos contactar no e-mail abaixo: rafael.perez@navarratech.com Tudo que criamos na Navarra é feito para e com o mercado! Gostou do conteúdo? Tem alguma observação? Deixe nos comentários, ou entre em contato via contato@navarratech.com.


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